Diversidade religiosa
Um ato para combater o racismo religioso
Seguidores de religiões de matriz africana realizaram mobilização em defesa ao abate de animais em rituais
Gabriel Huth -
Representantes de religiões de matriz africana foram às ruas de Pelotas na tarde deste sábado (4), em protesto ao que chamam de racismo religioso. Nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve colocar em votação, em Brasília, o Recurso Extraordinário 494601, que busca proibir o abate de animais durante os rituais. O ato começou no Altar da Pátria, na avenida Bento Gonçalves, se transformou em caminhada pela rua Andrade Neves e se dirigiu ao largo do Mercado Central.
Ainda antes de puxarem os pontos aos orixás, os integrantes de aproximadamente 50 terreiros de Pelotas ouviram a manifestação do presidente do Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, Baba Diba de Iyemonja. "No passado, tentaram nos dizer que a gente não deveria passar do portão da nossa casa e bater tambor bem baixinho, mas o Brasil é de matriz africana, sim, e temos o direito de professar nossa fé", sustentou.
Baba Diba de Iyemonja também fez questão de destacar o apoio já manifestado por lideranças da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em contato com a imprensa, os seguidores do Candomblé têm defendido: o sangue e o corte significam a vida. São encarados como força vital. E, ao contrário, do que muitos pensam, a carne dos animais não é descartada após o ritual. É 100% consumida, inclusive as tripas. "É uma tradição milenar, que deve ser respeitada", lembrou o presidente do Conselho.
Luta nacional. Representantes de 20 cidades gaúchas devem se juntar à Marcha em Brasília. O Recurso Extraordinário tramita desde 2006 e tem como objetivo discutir a constitucionalidade de norma do Rio Grande do Sul que autoriza o sacrifício animal em rituais religiosos de matriz africana. Em material distribuído na tarde deste sábado, uma sustentação: Precisamos participar ativamente dessa luta em defesa do nosso sagrado!
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